sábado, 2 de janeiro de 2010

FELIZ 2010!

Caros Amigos e Parceiros da Bom Diálogo,
Desejamos um Felizzzzzzzz Ano Novo, que se fará realmente novo em cada gesto, em cada nova idéia e em cada iniciativa. Portanto, mãos a obra! Ah...... essa é um foto maravilhosa que encontrei na internet e é desse jeito que quero que seja o meu ano de 2010.
Um forte abraço!

Ensaio Felicidade

Ensaio 01: Felicidade
" ...minha presença de professor, que não pode passar despercebida dos alunos na classe e na escola, é uma presença em si política. Enquanto presença não posso ser uma omissão mas um sujeito de opções. Devo revelar aos alunos a minha capacidade de analisar, de comparar, de avaliar, de decidir, de optar, de romper. Minha capacidade de fazer justiça, de não falhar a verdade. Ético, por isso mesmo, tem que ser o meu testemunho". Paulo Freire

Felicidade é a palavra que mais fielmente descreve o meu sentimento no momento. É extremamente prazerosa a sensação de transcendência, de superação e de aprendizagem, que a realização de um trabalho é capaz de proporcionar. Nada que eu tenha adquirido por meio da cultura do consumo é comparável ao que tento descrever nesse momento. A experiência em Caxias do Sul, consistiu na realização de três seminários para aproximadamente 900 profissionais da área da saúde, divididos em três grupos, em quatro horas de atividade cada, compondo a programação de educação continuada da Secretaria Municipal de Saúde, com o tema “Humanização”. Esse conjunto de três seminários dedicou-se ao estudo da Auto Estima, Auto Percepção e Gestão de Si, inaugurando uma seqüência de seminários temáticos até meados de março de 2007.O registro de memórias que desejo preservar como texto e pretexto para novos futuros desafios, descreve alguns processos de elaboração do trabalho intelectual e a vivência emocional desse fazer.Rememorando, tive aproximadamente vinte e poucos dias para preparar o material que levaria para o Seminário, e desde então, ele começou a crescer em conteúdo e ganhar forma. Juntei as minhas idéias com outras muitas idéias de amigos queridos que convidei para pensar comigo. Também consultei vários livros, artigos, crônicas, músicas e, sobretudo visitei muitas poesia antes de sentar e organizar as idéias. Adotei como prática no trabalho e na vida, o fazer coletivo e buscar em diferentes áreas do conhecimento, elementos para ampliar a visão conhecida sobre um tema e criar condições para uma nova interpretação.O interessante nessas ocasiões, é que mesmo tendo informação sobre o que é esperado, como o perfil do público, a conjuntura do momento e etc. ainda assim, não é suficiente para compor uma imagem da real expectativa e necessidade. Isso, de certa forma, abre um leque amplo de possibilidades, e aumenta o nível de responsabilidade e exigência nahora de escolher o “foco” que se pretende apresentar. – No entanto, somente o encontro, o clima, a empatia entre as pessoas é que parece definir o quão satisfatório, útil e necessário foi à escolha do material.Decidi que faria algo dinâmico, que possibilitasse o máximo de interação e, sobretudo que tocasse o coração das pessoas. – Quis demonstrar a teoria na prática, dialogar com elas, criar espaço para que elas dialogassem entre si, quis que elas duvidassem das generalizações sobre si mesmas, sobre os outros semelhantes e das relações construídas no mundo do trabalho e que fosse motivo de inspiração, ou ainda, abertura para novas possibilidades.O último preparativo incluiu uma boa noite de sono, roupa e sapatos confortáveis e revisão atenciosa do material. Essas são algumas “minhas” garantias de um bom dia de trabalho. - Acredito que também o grupo deva ser preparado, aquecido para entrar na atividade de corpo, mente e coração abertos.Utilizei como estratégia para o contato inicial nos três Seminários, uma dinâmica envolvendo música, movimentos e contato físico entre eles. As três turmas reagiram de forma amorosa, e durante todo o tempo que gastamos juntos, essa preparação parece ter favorecido um clima de acolhimento e disposição.O que realmente marcou e motivou o sentimento puro de felicidade, foram os momentos inesperados, os de silêncio absoluto depois de uma pergunta intrigante, de gargalhadas após uma história bem humorada para exemplificar um conceito, de depoimentos generosos, de intervenções conciliadoras, de indagações genuínas para as dificuldades do cotidiano, de lágrimas e sorrisos e da participação ativa.Dito de outra maneira foi ter facilitado a experiência de diálogo no grande grupo, a troca de experiência, o compartilhamento de diferentes visões de mundo e ter atendido em grande parte a necessidade do grupo.Os conceitos apresentados foram trabalhados a partir da compreensão dos grupos e ilustrados com várias histórias do meu repertório de terapeuta e educadora, e com historias do grupo. – Também as técnicas de dinâmica de grupo tiveram a intenção explícita de promover a interação entre os participantes e as histórias para que pudessem viver na lembrança de cada um, pois é certo que é isso que fica.Uma dessas histórias teve como intenção demonstrar como se constrói uma generalização a partir de uma observação e dos efeitos que isso provoca nas relações grupais. A “Laura” personagem criada para exemplificar o modelo, era vista pela sua equipe de trabalho, como alguém que não se importa com as pessoas, a partir de alguns comportamentos e distanciamento dos outros e que a partir da indagação se pode conhecer outra faceta dessa história, ela se mantinha distante do grupo, porque tinha problema de surdez que dificultava a sua comunicação, e ao contrário do que se imaginava se importava com as pessoas. – As associações, e relações com o cotidiano causaram um verdadeiro frenesi durante a apresentação e também nos intervalos, a “Laura” que em algum momento somos ou ajudamos a construir nas nossas equipes, foi percebida.E com a nossa capacidade de “dialogar” e ouvir os nossos pares, sem julgamento e interrupções, não foi diferente, na avaliação final, ao solicitar que os participantes elegessem o que poderiam levar com o propósito de adotar como prática, muitos apontaram a habilidade de ouvir e a aprendizagem coletiva como objetivo a ser alcançado.Conhecer e reconhecer nossos Modelos Mentais, refletir sobre nossos processos de aprendizagem, dificuldade de trabalharmos em equipe, de apropriação do diálogo para além da fala social e a compaixão como atitude desejável na relação entre profissionais de saúde e paciente, foi o foco principal da nossa atividade.Os três Seminários tiveram a mesma formatação e o mesmo conteúdo, entretanto, a composição dos grupos deram um colorido singular a cada um deles, criando uma dinâmica própria, me permitindo uma experiência fantástica de aprendizagem. – A forma de apresentação dos conteúdos, a escolha dos exemplos, a interação com o grupo, as contribuições espontâneas, os questionamentos e reflexões, são metaforicamente falando, música e poesia, na posição de educadora propus a letra e os grupos a fizeram à melodia.Penso que um seminário tem como função sensibilizar pessoas para determinados temas, que poderão ou não ser aprofundados, todavia, também acredito que as sementes lançadas nesses momentos, podem abrir um espaço inaugural para mais idéias, pensamentos e práticas em continuidade ao que possa ter, naquele momento, suscitado.Posto isso, e tendo em mente as palavras inspiradoras de Paulo Freire, disponibilizo esse texto com a finalidade de compartilhar, com quem por ventura tiver interesse, alguns momentos de felicidade. Lourdes Alves